Caros irmãos terráqueos!
Seria muito fácil falar a vocês sobre
desenvolvimento sustentável e em educação socioambiental das crianças, mas hoje
precisamos educar quem está no comando e tem poder para mudar o nosso futuro,
caso contrário essas crianças não terão do que cuidar. Existe um tempo para
retroceder e este tempo passou. Chegou a hora de mudanças drásticas antes que a
natureza se encarregue definitivamente delas.
A maior preocupação de todos deve ser com os
resíduos. O homem enche a terra de lixo e cria substâncias que não estão em
harmonia com a natureza. Temos, por exemplo, a questão dos polímeros. O plástico
fabricado em excesso e descartado com tamanha facilidade está inundando nossos
rios, matando e mutilando nossos peixes e animais marinhos e criando ilhas no
oceano de material que a natureza não sabe como lidar. Uma empresa produz
venenos e não orienta como descartar ou neutralizar? Isto é inconcebível.
Uma sacola plástica demora mais de 100 anos para se
decompor e o volume de plástico jogado no lixo é quase impossível de se processar.
Chegou um tempo de parar, de retroceder, e de pensar em soluções em massa para
lidar com tanto lixo. Precisamos pensar em produzir algo com o lixo. Em
reciclar em grande escala. Acho belo e artístico tantas ideias artezanais para
reciclagem, mas de que adianta reciclar uma garrafa de pet em um objeto que
será descartado meses depois pois não irá durar? A reutilização e reciclagem
devem ser em grande escala e com o apoio de vários governos.
Está na hora de se pensar em projetos de reciclagem
em grande escala e que produzam renda e gerem empregos. As máquinas que criam
plásticos devem dar lugar a outras que criem produtos harmônicos com a
natureza, isto não é difícil e nem impossível. Ainda não foi feito porque o
dinheiro, o lucro, estava na frente e esta questão não era tão importante. Quem
financiará essas pesquisas ? Que leis irão amapará-las?
O homem inverteu valores, criou remédios que criam
efeitos colaterais e não curam, mas que dão lucro. Criou usinas nucleares e se
esqueceu de pesquisar mais sobre como lidar com a radiação. Criou aparelhos,
produtos e energias cancerígenas que dão lucro e não pesquisou sobre
como evitar seus efeitos. Quis lucrar na agricultura e produziu alimentos com
veneno. Quis produzir em larga escala e criou produtos que prejudicam a saúde.
Preferiu pensar na parte financeira e não no ser humano e na natureza.
Agora estamos diante de um impasse. Como sobreviver
com estes paradigmas que nos levam a desejar sempre o lucro máximo? O que
julgamos ser o segredo do sucesso está sendo a causa de nosso fracasso.
Precisamos pensar se vale a pena continuar usando
descartáveis que não se deterioram, pois eles deveriam ser proibidos
imediatamente antes que o problema aumente.
Já é hora de se pensar em tanto lixo produzido, se
vale a pena em favor da ganância colocar tantas vidas em risco.
Existe muito o que ser questionado, mas resumirei
em 12 princípais preocupações iniciais.
A primeira mudança de paradigma seria na base das
pesquisas sobre energia baseada no petróleo. Existem outras fontes de energia
capazes de captar a energia do sol e da terra tornando-se grandes baterias. Mas
onde estão os grandes investimentos e todos os olhares?
A segunda mudança seria a proibição da produção de
produtos descartáveis plásticos e a responsabilização das empresas pela
reciclagem do que produzem. Um país não poderia produzir e encher o mundo de
descartáveis de baixa qualidade sem se preocupar com as conseqüências.
A terceira seria a prioridade para a política
de residuos. A indústria, os canais e consumidores devem assumir a
responsabilidade pela reciclagem dos produtos numa logistica inversa, chegando
até a fábica e seus fornecedores.
Em quarto, as políticas de proteção do planeta
devem ser a nivel mundial pois estamos todos no mesmo barco e as ações de
alguns governantes colocam em risco outros.
Em quinto lugar, os rios devem ser considerados
patrimônio da humanidade e não devem ser poluidos. A poluição vai para o mar
e os oceanos são uma preocupação mundial. Os esgotos devem ser
tratados e as fábricas devem saber lidar com seus resíduos. Acabou a era do
lucro fácil e da visão da natureza como um recurso infinito a ser explorado.
Em sexto lugar, a criação e produção de carne deve
ser controlada, repensada e avaliada em sua produção de CO2 assim como todas as
formas produtivas. Os animais silvestres devem ser protegidos e
preservados.
Em sétimo lugar, as cidades devem ser repensadas
com mais verde e o ar deve ser constantemente controlado em favor dos seus
moradores.
Em oitavo lugar, a indústria automotiva que reinou
tanto tempo nos velhos paradigmas, deverá repensar seus processos e começar a
investir em novas tecnologias e em veículos seguros e coletivos.
Em nono lugar, devemos investir mais nas
pesquisas sobre a energia que nos move em seus vários aspectos sem preconceitos;
a religião deve se harmonizar com a ciência e a espiritualidade deve estar nos
estudos científicos, a fim de inspirar aqueles que criam alternativas para
mudar o mundo.
Em décimo lugar, as soluções devem sair da
individualidade e passar para a coletividade. Pessoas começam a necessitar de
moradias coletivas, alimentação em grande escala, creches e escolas
de qualidade, hortas coletivas, espaços de lazer, espaços coletivos,
postos com atendimento psicológico e médico. Transporte de qualidade. A
indústria do luxo e do individualismo não abre espaço para se pensar no
coletivo. Precisamos de novos olhares sobre o tema.
Em décimo primeiro, precisamos de uma politica para
lidar com o homem que viverá mais tempo, novos paradigmas para cuidar do idoso
que vive mais, mas que pode estar doente pela consequência
dos abusos e agressões das últimas décadas. De quem seria
a responsabilidade e quem iria consertar o erro?
E em décimo segundo lugar, precisamos
retornar ao início de tudo e nos conectar a essa natureza que tanto desprezamos
e que nos dá tudo para nossa subsistência. Ela nos dá alimento, energia, ar
puro, águas límpidas, ervas medicinais, sol e vida, todos os
dias em abundância. E o que fizemos até o
momento? Desprezamos tudo que recebemos e saímos deste acolhimento paradísiaco
para criar coisas e mais coisas que hoje nem sabemos mais para quê . È uma
infinidade de produtos inúteis e em excesso para alimentar o lucro e oprimir
aqueles que não suportam mais serem vistos apenas como consumidores. Penso em
todos os momentos em que ponto nos perdemos e como consertar os erros. Talvez o
princípio de tudo seja voltar ao início e nos lembrarmos que somos
humanos.
Adriana Nunes
Nenhum comentário:
Postar um comentário